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Esterilização canina - a tendência atual

 

A esterilização de animais é um tópico que tem ganho cada vez mais atenção por parte do público. Quase todos os médicos veterinários recomendam esta cirurgia sem reservas, listando uma infinidade de vantagens. Além disso, este suporte tem sido promovido por campanhas publicitárias e grupos de ajuda animal. Não é à toa que existem estas campanhas em massa: a superpopulação de animais errantes é um assunto bastante preocupante – para quem gosta e até para quem não gosta de animais! Há milhares de animais abandonados, famintos e doentes a vaguear pelas ruas, que são frutos de acasalamentos indiscriminados. A grande maioria desses animais não consegue ser adoptada e acaba à própria sorte ou é eutanasiada.

Partindo do princípio que você é um dono responsável, que jamais abandonará o seu cão e não promoverá acasalamentos sem fundamentos, a decisão de esterilizar ou castrar o seu cão depende também de outros factores.

Neste artigo sumarizámos os benefícios e os riscos da castração e da esterilização a longo prazo na sua saúde canina que estão descritos na literatura. O impacto destes procedimentos cirúrgicos no comportamento dos animais não será discutido. 

Esterilização e castração: qual a diferença?

Antes de mais, convém esclarecer os dois termos. A castração consiste na remoção dos orgãos reprodutores, ou seja, os ovários e o útero no caso das fêmeas (ovariohisterectomia) e os testículos no caso dos machos (orquiectomia). O termo esterilização usa-se frequentemente como sinónimo, contudo não tem o mesmo significado. Esterilização é o impedimento de reproduzir, que pode ser conseguido cirurgicamente com a laqueação das trompas uterinas nas fêmeas e a laqueação do canal deferente nos machos.

Ambos os processos têm um impacto global no animal ao nível do metabolismo e os benefícios e riscos ainda não foram completamente identificados por parte dos especialistas. Por isso, antes de ponderar esta opção aconselhamo-lo a ler os prós e os contras para que tome a melhor decisão em prol do seu cão.

 

Machos

Há poucos argumentos convincentes para castrar os machos, especialmente os jovens. De facto, na maioria dos casos, os problemas de saúde associados à castração ultrapassam os seus benefícios.

Aspectos positivos de castrar machos:

·         Elimina a baixo risco (<1%) de desenvolver cancro testicular – já que no procedimento cirúrgico se removem os testículos;

·         Reduz o risco de doenças prostáticas não cancerígenas;

·         Reduz o risco de aparecerem fístulas (feridas) perianais (na região próxima ao ânus);

·         Pode reduzir o risco de diabetes (dados inconclusivos).

Aspectos negativos de castrar machos:

·         Se for feita antes de 1 ano de idade pode aumentar o risco de osteossarcoma (cancro dos ossos) – um cancro comum em cães de raças médio/grande e grande porte.

·         Aumenta em 60% o risco de desenvolver hemangiossarcoma cardíaco (tumor maligno das células que revestem os vasos sanguíneos);

·         Triplica o risco de hipotiroidismo (uma disfunção da tiróide);

·         Aumenta o risco de desenvolver Disfunção Cognitiva Canina, uma que se caracteriza pela degenerescência do sistema nervoso central dos cães e que se manifesta através de sintomatologia análoga à doença de Alzheimer em pessoas;

·         Triplica o risco de obesidade, um problema cada vez mais comum nos cães e associado a vários problemas de saúde;

·         Quadruplica o baixo risco (<0,6%) de desenvolver cancro da próstata;

·         Duplica o baixo risco (<1%) de contrair cancro do trato urinário;

·         Aumenta o risco de desenvolver doenças ortopédicas;

·         Aumenta o risco de acontecerem reacções adversas a vacinas.

Fêmeas

Para as fêmeas a situação é mais complexa mas, em alguns casos, os benefícios associados à esterilização podem exceder os riscos de saúde. Numa perspectiva geral, as vantagens ou não de esterilizar uma cadela dependem provavelmente da idade e da predisposição para certas doenças do próprio animal (doenças hereditárias ou da raça).

Aspectos positivos de esterilizar fêmeas:

·         Elimina quase totalmente o risco de piometria, uma infecção uterina que afecta 23 % das fêmeas intactas (não esterilizadas). A piometra costuma acontecer depois de alguns cios e, se não for diagnosticada a tempo, pode causar a MORTE da fêmea!

·         Feita antes dos 2,5 anos de idade pode reduzir drasticamente o risco de tumores mamários, um dos tumores malignos mais comuns nas cadelas;

·         Reduz o risco de aparecerem fístulas (feridas) perianais (na região próxima ao ânus);

·         Reduz o baixo risco (<0,6%) de contrair tumores uterinos, cervicais e nos ovários.

Aspectos negativos de esterilizar fêmeas:

·         Se for feita antes de 1 ano de idade pode aumentar o risco de osteossarcoma (cancro dos ossos) – um cancro comum em cães de raças médio/grande e grande porte;

·         Aumenta duas vezes o risco de desenvolver hemangiossarcoma esplénico e mais de cinco vezes o risco de desenvolver hemangiossarcoma cardíaco. Este tipo de cancro é bastante comum e a maior causa de morte para algumas raças;

·         Triplica o risco de hipotiroidismo (uma disfunção da tiróide);

·         Aumenta em 60 –  120% o risco para a obesidade, um problema cada vez mais comum nos cães e associado a vários problemas de saúde;

·         Causa incontinência em 4 – 20 % das cadelas;

·         Aumenta 3 ou 4 vezes o risco de desenvolver recorrentemente infecções do trato urinário;

·         Aumenta o risco de desenvolver dermatite vaginal e vaginite, especialmente em cadelas esterilizadas antes de atingirem a puberdade;

·         Aumenta o risco de desenvolver doenças ortopédicas;

·         Aumenta o risco de acontecerem reacções adversas a vacinas.

Esterilização/castração precoce

A esterilização ou castração de cães aos 6 meses de idade, ou até mais novos, parece predispor os cães a problemas de saúde que poderiam ser evitados caso os donos tivessem esperado pelo amadurecimento do cão (chegada à fase adulta) ou, no caso dos machos, se renunciassem por completo este procedimento, a menos que seja necessário.

Concluíndo

Os riscos ou benefícios de saúde a longo prazo que advém da esterilização e da castração variam de cão para cão. Além disso, a raça, a idade, o género e outras variáveis não relacionadas com medicina têm todas de ser tidas em conta. 

Lembre-se que na medicina veterinária não existe uma regra única para todos os cães e, apesar de parecer um procedimento rotineiro, a esterilização de um animal deve ser sempre ponderada individualmente balanceando os prós e os contras.